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Roberto Acioli de Oliveira

Arquivos

18 de abr de 2015

A Propaganda Nazista e a História


 Uma  mentira  repetida  mil vezes torna-se uma verdade

A História que se Repete como Farsa

Paul Krüger, presidente do Transvaal dos bôeres no sul da África entre 1833 e 1900, está num hotel na Suíça. Repórteres tentam em vão entrevistá-lo; um deles, através de suborno, consegue entrar no quarto do ancião e tirar uma fotografia – o repórter é judeu. Isolado em seu quarto, cego e doente (imagem acima), solicita à enfermeira que leia o jornal em voz alta: “Os bôeres se tornaram cidadãos britânicos”, diz a manchete. Krüger é acusado de jogar os bôeres contra os ingleses por interesses egoístas e agora se exilar com uma boa vida na Europa, ao que ele comenta: “o mundo esquece rápido e, se você continua repetindo uma mentira por tempo suficiente, no final as pessoas irão acreditar nela”. O velho então explica o motivo da cobiça do Império Britânico. Com a descoberta de ouro na terra dos bôeres e no Estado Livre do Orange, o governo inglês decide se apossar da terra. Para evitar a guerra, Krüger assina um tratado que dá vantagens aos ingleses e mantém a independência Bôer. Contudo, os ingleses conseguem provocar a guerra. Inicialmente rechaçados, mudam de tática, armam os nativos negros e atacam a população civil Bôer. Casas são queimadas, rebanhos destruídos, poços envenenados, mulheres e crianças enviadas para campos de concentração onde são tratados de forma brutal, passam fome e são infectados por doenças. O invasor inglês espera que assim os bôeres desistam de lutar. Enquanto milhares morrem, Krüger viaja pelas capitais europeias em busca de ajuda, mas a diplomacia britânica se assegura de que ele não obtenha êxito. Finalmente, enquanto Krüger morre na Europa, os bôeres são derrotados e incorporados ao Império Britânico. (imagens abaixo, Krüger com a Rainha Vitória, para assinar um acordo que os ingleses não cumpriram; no canto inferior esquerdo, já de volta em sua terra)


 “(…)  O  inglês segue o princípio de que,
 quando  se  mente,  deve-se  mentir  grande,  e se
 manter aí. Eles mantêm as suas mentiras, mesmo
correndo  o  risco  de  parecer  ridículos”


 Neste   artigo  de  12   de   janeiro  de  1941,   Goebbels   desenvolve   a   ideia   da   “grande mentira”, 
popularizada  pelo  raciocínio que ganhou  várias versões:  uma mentira repetida mil vezes torna-se uma verdade. 
Originalmente,  a tese da “grande mentira” foi descrita em 1925 por Hitler em seu livro Minha Luta

Tanto na Espanha pró-nazista do ditador Francisco Franco, quanto na França ocupada por Hitler, chamou-se O Presidente Krüger ao filme de propaganda nazista cujo título em alemão é Tio Krüger (Ohm Krüger, direção Hans Steinhoff, 1941). Duplicidade que talvez possa ser explicada pela intenção de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda na Alemanha de Hitler (1933-1945), em caracterizar Stephanus Johannes Paulus “Paul” Kruger (1825-1904) como um titio bondoso e injustiçado, cujo país foi atacado pelo Império Britânico – entre 1899 e 1902, episódio conhecido como Segunda Guerra Bôer. O papel de Krüger coube ator alemão Emil Jannings, famoso por suas atuações em filmes mudos como A Última Gargalhada e Fausto (Der Letzte Mann e Faust, ambos sob a direção F. W. Murnau, 1924 e 1926). Desde que subiu ao poder em 1933, Hitler nutriu uma relação de amor e ódio pelos ingleses. Elogiava a capacidade de eles dominarem vastas áreas do mundo com uma população muito maior do que sua força militar, apenas para depois passar a chama-los de “judeus entre os arianos”, na medida em que ficou evidente que os ingleses enfrentariam o Nazismo. Em 1941, já como dono de quase toda a Europa, Hitler precisava de filmes que convencessem a população alemã da necessidade de atacar a Inglaterra. Se em 1934, com Um Homem quer ir para a Alemanha (Ein Mann will nach Deutschland, direção Paul Wegener) e Os Cavaleiros da África Oriental Alemã (Die Reiter von Deutsch-Ostafrika, direção Herbert Selpin) o cinema nazista chegou a elogiar e respeitar seu inimigo inglês, em fevereiro 1940 tais filmes seriam banidos da Alemanha devido a sua mensagem pacifista – em março Goebbels os relançaria, depois de ser informado que davam muito lucro. David Welch mostrou como tudo mudou em 1941 e Tio Krüger colocou a opinião pública alemã contra a Inglaterra.

“A doutrinação através do cinema obtém mais sucesso quando existe um elemento de excitação na apresentação, porque isso proporciona a ilusão de que o espectador está fazendo suas próprias descobertas ou chegando à suas próprias conclusões. A falta desse elemento de excitação foi uma das razões pelas quais os filmes antibolcheviques [nazistas] eram estéreis e pouco convincentes. Outro aspecto que deve ser considerado é que, produzindo um elemento de excitação no cinema, se está inevitavelmente manipulando imagens visuais e sonoras” (1)

Fabricação de Bodes Expiatórios


“A representação da vida diária em países
 estrangeiros   era   concebida   para   reforçar  a
 imagem do vilão e confirmar para o espectador
que  a  vida  é bem melhor no Reich (...) (2)

Independente do fato de que o bem sucedido imperialismo britânico fosse uma inspiração para Hitler e Goebbels, a partir de 1941 o povo alemão deveria vê-lo como uma plutocracia em que o controle do mundo estava nas mãos de algumas centenas de famílias capazes das maiores atrocidades para mantê-lo. Para Welch, o termo “plutocracia britânica” era carregado de conotações anticapitalistas e foi utilizado pelos nazistas para atacar a elite dirigente, mas não o povo inglês. Num editorial de junho de 1940, Goebbels começa a misturar o ingrediente antissemita na questão: “Os ingleses estão firmemente convencidos de que Deus é inglês. Em seu caráter misturado de brutalidade, falsidade, piedade simulada e santidade hipócrita, eles são os judeus entre a raça ariana” (3). Em 1940, Os Rothschilds (Die Rothschilds, rebatizado de As Ações dos Rothschilds em Waterloo, Die Rothschilds Aktien von Waterloo, direção Erich Waschneck) (imagem acima) foi o primeiro filme nazista a combinar antissemitismo e antibritanismo. Ainda de acordo com Welch, juntamente com Judeu Süss (Jud Süß, direção Veit Harlan) e O Judeu Eterno (Der ewige Jude, direção Fritz Hippler), este filme compõe uma trilogia produzida naquele ano com o objetivo de preparar as plateias alemãs para ações mais duras contra os judeus. Os Rothschilds conta a história de como um banqueiro judeu alemão de Frankfurt pegou uma vultosa soma em dinheiro que lhe havia sido confiada e a transformou na fortuna da família. Sua estratégia, através de seu filho em Londres, foi financiar a vitória de Wellington sobre Napoleão, com a condição de ser o primeiro a saber. De posse da informação, espalha a notícia de que Wellington perdeu a batalha (a informação é repetida quatro vezes), o que gerou pânico e todos venderam seus títulos do governo, que foram comprados por Rothschild. Todos perderam dinheiro, enquanto o judeu ficou rico (4).

“Uma finalidade dupla pode ser percebida em Die Rothschilds: procura explicar a ascensão ao poder e riqueza da família Rothschild, e a emergência da ‘plutocracia britânico-judaica’. Também rouba da Inglaterra a glória de ter vencido a batalha de Waterloo, alegando que a vitória foi devido aos prussianos sob as ordens de Blücher. O Ilustrierte Film-Kurier referiu-se a estes dois temas como sendo baseados ‘integralmente em fatos históricos’, e continuou: ‘a fortuna dos Rothschilds foi construída no sangue de soldados alemães, vendidos como mercenários aos britânicos’. Ao revelar o ‘fato histórico’ de que os financiadores judeus haviam lucrado com a morte de soldados alemães, Die Rothschild foi consistente com o argumento que racionalizou o extermínio dos judeus, expresso primeiramente por Hitler em Mein Kampf [Minha Luta], repetindo posteriormente em várias ocasiões. Compare com o discurso a seguir, apresentado no Reichstag em 30 de janeiro de 1939 [o filme será lançado em julho de 1940]: ‘Hoje eu serei mais uma vez um profeta: se os financiadores internacionais judeus dentro e fora da Europa tiverem sucesso em mergulhar as nações mais uma vez numa guerra mundial, então o resultado não será a bolchevização da Terra, e assim a vitória da judiaria, mas a aniquilação da raça judia na Europa!” (5) (imagem abaixo, na cena final de As Ações dos Rothschilds em Waterloo, depois de um Rothschild formar a estrela de Davi ao ligar os pontos da Europa onde a família tem uma base, o filme termina com uma estrela de Davi brilhando sobre o mapa da Grã-Bretanha)

 
Mas é preciso lembrar que o filme alemão a respeito dos Rothschilds não surgiu no vácuo. Realizado em 1934, portanto nada menos do que seis anos antes, A Casa de Rothschild (The House of Rothschild, direção Alfred L. Werker e Sidney Lanfield [não creditado]) foi um precursor hollywoodiano bastante controverso ainda muito antes de entrar em produção. Naquele momento Hitler já conseguia fazer uma pressão sobre os estúdios de Hollywood (capitaneados por judeus), garantindo-lhes o mercado alemão apenas enquanto seus filmes não criticassem o regime nazista. Embora sempre se possa dizer que A Casa de Rothschild acabou fazendo mal aos judeus nos Estados Unidos ainda pretendesse ser a favor da causa judaica, a verdade é que os nazistas adoraram o filme. Gostaram tanto que incluíram um trecho no antissemita O Judeu Eterno (ao invés de seu próprio filme sobre os Rothschilds, lançado pouco tempo antes), como prova de sua tese em relação ao projeto judeu de dominação mundial. De fato, Ben Urwand ressaltou que O Judeu Eterno seria impensável sem a existência de A Casa de Rothschild. No leito de morte o patriarca insiste que os cinco filhos devem permanecer unidos (nas praças financeiras de Londres, Paris, Frankfurt, Nápoles, Viena) e oferecer serviços como guardiões do dinheiro das nações enquanto houver muitas guerras entre elas. A esta cena inserida em O Judeu Eterno corresponde o discurso de Hitler no final do filme, justamente onde afirma que uma nova guerra não será uma vitória do judaísmo, mas a destruição do povo judeu na Europa (6). (imagens abaixo, à esquerda, cruzes representando os bôeres mortos com a imagem de Krüger cego ao fundo; a seguir, no alto da colina o filho de Krüger enforcado no campo de concentração, um grupo de soldados desce atirando na multidão revoltosa abaixo; à direita, o comandante inglês do campo alimenta seu cão enquanto mulheres e crianças bôeres morrem de fome; a seguir, Krüger visita um “nativo aliado” que, vestido com o uniforme dos ingleses e tendo recebido armas destes, concorda em ficar do lado dos bôeres - neste último exemplo, está evidente, seja do ponto de vista dos ingleses ou bôeres, os nativos estão ali para “ceder” suas terras e servir ao colonizador)


“No cinema, o espectador deve saber,
 com maior certeza do que no teatro, ‘quem
eu  devo  amar e quem devo odiar!’”

Trecho   de   Reflexões   Acerca   da   Produção   Cinematográfica,    de    Fritz   Hippler,   chefe   do   Ministério   do   Reich
para  Esclarecimento  Popular  e  Propaganda  (Reichsministerium für Volksauflärung und Propaganda) e Administrador
do Cinema do Reich (Reichsfilmintendant) diretamente subordinado a Goebbels; dirigiu o antissemita O Judeu Eterno (7)

Embora seja conveniente lembrar que a expansão imperial e a colonização de vastas áreas do mundo pelos ingleses também se caracteriza um projeto de dominação mundial, veremos que os nazistas eram muito mais eficazes do que eles na propaganda. Richard Taylor observou um traço em comum entre o cinema soviético e o nazista: ambos se utilizaram estereótipos negativos contrastantes (prática que de forma alguma saiu de moda) para marcar as características do bode expiatório que explicaria todos os males do mundo e justificaria as ações dos povos “livres e íntegros” contra eles. No caso dos nazistas, eram três os principais inimigos externos: judeus, anglo-saxões (especialmente os ingleses), e eslavos (poloneses ou russos, liberais ou bolcheviques). Não apenas apresentam as mesmas características, como às vezes são confundidos: os judeus e os anglo-saxões (expressão que já implica miscigenação) estão misturados em Os Rothschilds (o banqueiro e Wellington, o duque e general inglês corrupto e mulherengo), Tio Krüger (o repórter judeu do jornal inglês The Times), e o assassino em Bismarck (Bismarck - Das politische Schicksal des Eisernen Kanzlers, direção Wolfgang Liebeneiner, 1940). Os bolcheviques e socialistas muitas vezes eram de origem racial dúbia, como Paul Wegener em Hans Westmar (direção Franz Wenzler, 1933) e o ator mongol Valéri Inkijinoff (Inkizhinov) como um comissário bolchevique em Friesennot (também conhecido como Dorf im roten Sturm, e nos Estados Unidos como Frisians in Peril ou Frisions in Distress, direção Peter Hagen, 1935). Inkijinoff também protagonizou Tempestade Sobre a Ásia (Potomok Chingis-Khana, direção Vsevolod Pudovkin, 1928), alcançando assim a distinção única de haver participado de filmes de propaganda soviéticos e nazistas (8). (imagens abaixo, acima se acompanha as tropas inglesas atacando os bôeres; abaixo, à esquerda, mobilização dos bôeres para a guerra, a faixa carrega a palavra de ordem da própria Alemanha em 1941: “abaixo a Inglaterra”; à direita, Krüger e o ambicioso e inescrupuloso empreendedor inglês  Cecil Rhodes)

O Potemkin Nazista?


A   temporada   1940-41   foi   marcada   por   maior   concentração
em filmes de propaganda política. Sem dúvida  a  multiplicação  dos
sucessos militares alemães tornava a propaganda mais agressiva (9)

Não sejam chatos, marchas militares não tem nada a ver com servir bem ao governo! (10) Era esta a abordagem, focada em filmes escapistas e de entretenimento, que Goebbels procurava ensinar os cineastas e produtores alemães (que pretendessem continuar no emprego) – o que nos permite também compreender por que o ministro detestou O Judeu Eterno e adorou Judeu Süss. Embora Tio Krüger não possa ser classificado como filme de entretenimento, foi o primeiro a receber o título honorário de “Filme da Nação”, maior honraria concedida pelo mundo do cinema nazista, e Emil Jannings (de fato, foi ele quem teve a ideia original para o filme) (11) foi agraciado com um “Anel de Honra do Cinema Alemão” - como o próprio Goebbels teria dito a “propaganda não tem nenhuma relação com a verdade. Servimos à verdade ao servir à vitória da Alemanha” (12). De acordo com Welch, Krüger é a figura do herói perfeito típico dos filmes nazistas, um “tio” que goza de autoridade com seu povo, liderando uma nação modelo que retira sua força da terra. Honesto, corajoso, direto, homem de família, mas acima de tudo um estadista que luta uma guerra heroica contra a Grã-Bretanha, o arqui-inimigo da Alemanha. Embora realmente não seja possível se invadir e colonizar um país distribuindo flores, o roteiro reescreve a história da Inglaterra para apresentá-la como expressão da violência, assassinato e exploração de povos escravizados, mostrando também as maquinações diabólicas de Cecil Rhodes (1853-1902) e Joseph Chamberlain (1836-1914), juntamente com caracterizações maliciosas da Rainha Vitória (1819-1901), do Príncipe de Gales (Eduardo VII, 1841-1910) e de Winston Churchill (1874-1965) (este ocupado em alimentar seu buldogue enquanto comanda um campo de concentração onde massacra mulheres e crianças bôeres) (13). (imagem abaixo, de pé, vendado, um prisioneiro Bôer; sentado na cabeceira, Lorde Kitchener, responsável no filme pela implantação da política de guerra total)


Relatórios   da   SS   afirmaram   que   a    propaganda    atingiu
 seus  objetivos   e   a   mensagem    antibritânica   de   Tio   Krüger 
 foi absorvida  pela população.  No  Festival  de  Cinema de Veneza, 
ele recebeu o Prêmio Mussolini de melhor filme estrangeiro (14)

Tio Krüger estreou em 4 de abril de 1941, e deve ser compreendido no contexto da iminente Operação Leão Marinho (que começou a ser planejada em setembro de 1940), a invasão da Inglaterra. Ainda que Hitler a tenha adiado indefinidamente, até meados de 1941 Goebbels encorajou os rumores de que iria realmente ocorrer. Enquanto isso, a Força Aérea Britânica começa a bombardear a Alemanha. Apesar da pequena escala dos ataques, tiveram um efeito perturbador na moral alemã. Goebbels procurou neutralizar os efeitos afirmando que o espírito desumano dos ingleses foi o que os levou a bombardear alvos culturais e civis, matando mulheres e crianças e destruindo alguns dos templos mais sagrados da civilização ocidental – é verdade que anos depois, já com a guerra praticamente perdida para os alemães em 14 de fevereiro de 1945, os ingleses realizariam um bombardeio em larga escala sobre a cidade de Dresden, até então poupada; o número estimado e incerto sugere até 135 mil mortos nas chamadas “tempestades de fogo”. Tio Krüger, que apresenta os ingleses como inventores dos campos de concentração, é uma propaganda de guerra que joga com o sentimento de ódio contra eles que prevalecia na Alemanha naquele momento e enfatiza essa outra guerra (aquela real em que os nazistas queriam invadir a Inglaterra) iniciada (de acordo com a lógica nazista) pela classe dominante daquela ilha do outro lado do Canal da Mancha. De acordo com este filme, os ingleses também seriam os inventores da “guerra total”, uma vez que o militar que assumiu a luta depois da derrota de seu antecessor afirmou que para ele todos os bôeres são foras da lei e não deve haver distinção entre soldados e civis – seus lares devem ser destruídos da mesma maneira que se destroem as armas do inimigo. 

“(...) A Guerra Bôer [real] já possuía um lugar na memória coletiva alemã como um exemplo de como um poder fraco pode ser empurrado por outro forte: o que aconteceu ao Transvaal na Guerra bôer também, argumento o segue, aconteceu com a Alemanha no Tratado de Versailles [com o fim da Primeira Guerra Mundial], e certamente poderia acontecer novamente se o país relaxar sua vigilância. O programa publicado para a estreia do filme extraiu consolo do argumento: referindo-se aos eventos no sul da África como ‘uma dessas invasões medievais’, o programa continua: A luta desesperada dos bôeres contra a Inglaterra é o primeiro sinal de uma nova era que coloca os métodos comerciais do Império contra a força combinada de um povo unido. Nesse sentido, as palavras de Bismarck como um ancião ganham um significado profético: ‘Um dia a África do Sul será a tumba da Inglaterra enquanto um poder mundial. A Inglaterra irá sangrar até a morte lá’” (15)


Segundo Tio Krüger, os ingleses inventaram o campo de concentração
e  a  guerra total. Quando a Alemanha perdeu em Stalingrado, Goebbels
perguntou  em  seu  discurso de 16  de  fevereiro  de  1943 se os alemães
queriam   guerra   total   contra   os   aliados.   Todos   gritavam   “sim”

Certa vez Goebbels disse que os nazistas precisavam de um O Encouraçado Potemkin (Bronenosets Potemkin, 1925) para eles, fazendo referência ao filme do cineasta soviético (nascido na Latvia, república báltica “engolida” pelos soviéticos) Serguei Eisenstein. Em Tio Krüger, algumas cenas no campo de concentração evocam a sequência da matança na escadaria de Odessa em Potemkin. O local consiste de tendas alinhadas a uma colina, mais ou menos como o acampamento dos cavaleiros teutônicos (outra referência aos alemães) noutro filme de Eisenstein, Cavaleiros de Ferro (também conhecido no Brasil como Alexander Nevsky, Aleksandr Nevskiy, 1938). Fora do acampamento, mulheres bôeres agitam uma lata de carne estragada (imagem acima), como o marinheiro em Potemkin. O enfermeiro convocado para averiguar está tentado a concordar com elas, mas é intimidado pelo comandante (aquele que representa Churchill) a declarar que a comida está boa para consumo. As mulheres estão ultrajadas, mas ficam em silêncio, já que aquela que reclamou foi morta pelo comandante com um tiro. A esposa de Jan, o filho de Krüger (que antes gostava da Inglaterra), vê seu marido morto sendo pendurado numa árvore fora do campo (como Cristo no Gólgota); suas últimas palavras foram: “Nossa fé é maior do que a morte. Inglaterra seja amaldiçoada!”. Quando o comandante mata a esposa de Jan uma rebelião explode e todos correm para subir a colina, assim como a multidão para a escadaria de Odessa, e da mesma forma são barradas e massacradas pelos soldados que vem em sentido oposto. A sequência termina numa paisagem de cruzes e crianças órfãs chorando (16). Depois disso (o filme é apresentado como um grande flashback), retornamos para o quarto do hotel suíço onde Krüger está contando toda essa história à enfermeira. Com um fundo musical, o velho proclama a mensagem que faz a ligação com o tempo presente (ou com a maneira que os nazistas desejavam que os espectadores Alemães fizessem a conexão com o presente):

“Esse foi o fim. Foi assim que a Inglaterra subjugou nossa pequena nação através dos meios mais cruéis. Mas um dia o tempo para vingança virá. Não sei quando, mas tanto sangue não pode ter sido derramado em vão, tantas lágrimas não podem ter sido derramadas por nada. Nós somos uma nação pequena e fraca. Grandes e poderosas nações se levantarão contra a tirania inglesa. Irão esmagar a Inglaterra e então o caminho estará aberto para um mundo melhor” (imagens a seguir, Krüger e uma das tribos nativas cuja lealdade é disputada por bôeres e ingleses)

A Terra Prometida Já Tinha Dono?


Nos filmes antibritânicos nazistas mostrando as colônias inglesas
 na   África   nunca   esteve  em   pauta  o  fato  de  que   colonizadores
  europeus    estivessem    invadindo   e   saqueando    a    terra   alheia. 
 No máximo,  a  questão  foi  discutir  quem  era  o  melhor  patrão

Originalmente, os bôeres deixaram o litoral do sul da África que era então uma colônia inglesa. Seguiram para o interior em busca de sua “terra prometida”, que acreditaram encontrar em torno do rio Vaal. Do jeito que é mostrado em Tio Krüger, parece que não havia ninguém por lá, que a terra estava vazia e à espera do “povo escolhido”. Mas a realidade não é bem essa, o paraíso edênico dos bôeres foi arrancado das mãos dos povos nativos negros que lá estavam (da mesma forma como na própria história da colonização inglesa sempre se insistiu). Além de Espanha e Portugal, colonizadores bem mais antigos no ramo, a própria Alemanha possuía colônias na África (nos atuais Togo, Camarões, Tanzânia e Namíbia, na qual, inclusive, teve início a teorização científica da raça pura). A França e, especialmente, a Inglaterra, possuíam quase todo o continente africano. Portanto, não existem inocentes nesta História. Em Germanin (Germanin - Die Geschichte einer kolonialen Tat, direção Max W. Kimmich, 1943), outra propaganda nazista a sugerir que os alemães eram mais capazes para as responsabilidades do imperialismo e da colonização devido à sua superioridade moral, um médico traz a cura para a doença do sono, enquanto aos ingleses é reservado o papel de colocar obstáculos em seu caminho. Enquanto isso, no mundo real, pela a ocupação da Tchecoslováquia em 1939, naturalmente houve sanções contra Hitler. Em discurso durante o lançamento do novo encouraçado Tirpitz, “(...) atacou a hipocrisia com que os britânicos assumiam, naturalmente, a posição moral altaneira, enquanto eles próprios dominavam pela força mais de um quarto do globo” (17). 

 
“‘Quando compramos a UFA hoje’, se vangloriou Goebbels
em  meados de 1937,  ‘nos tornamos a maior  união  mundial
de   cinema,   imprensa,    teatro   e   rádio...   Agora  eu   tenho
um    instrumento    muito    útil    à    minha    disposição’”

Com  esta  frase  do  diário de Goebbels  (volume 3)  a  respeito  do  famoso  estúdio  alemão,   Eric   Rentschler
deixa    clara    uma  possível   razão   por   trás   da   necessidade    de    desmembrar   conglomerados   de    mídia
 (política  adotada  em  vários  países  como,   por  exemplo,   Estados   Unidos)   que  facilmente   pode  se  tornar 
instrumento  antidemocrático, induzindo   a   confusão   entre   liberdade   de   empresa   e   de   imprensa   (18)

Voltando a Tio Krüger, enquanto Cecil Rhodes e Chamberlain não conseguiam o apoio da Rainha Vitória para provocar os bôeres até produzir uma guerra, contentaram-se com a ajuda dos missionários (19). Na cena seguinte vemos missionários cantando “Deus Salve a Rainha”: um deles distribui bíblias aos nativos, enquanto outro distribui as armas (imagem acima) com as quais eles criarão problemas para os bôeres. O altar está coberto pela bandeira inglesa, apresentando os religiosos como ferramentas do governo inglês e a Grã-Bretanha como um explorador cínico da população nativa para seus próprios interesses egoístas – embora todos os poderes coloniais tenham feito esse tipo de coisa, a Inglaterra sempre soube aplicar muito bem a máxima “dividir para conquistar”. Cortada de algumas versões de Tio Krüger, uma cena mostra um acampamento nativo onde uma dança de guerra está acontecendo. O chefe, aplicando os últimos retoques em sua pintura de guerra, veste um uniforme inglês e um retrato da Rainha Vitória está pregado na parede. Inicialmente ele se recusa a dizer quem forneceu as armas, mas conta depois de ser ameaçado por Krüger. Falando no dialeto local, ambos acalmam os nativos, para quem Krüger se comporta como um pai com seus filhos – o filme apresenta todos os habitantes do Transvaal são vistos como membros de uma grande hierarquia familiar. Os britânicos, por sua vez, exploram os nativos e os utilizam em seus estratagemas políticos e comerciais. Portanto, explicou Richard Taylor, Tio Krüger apresenta como tarefa dos bôeres a proteção dos nativos contra os britânicos! (imagens a seguir, acima, Carl Peters; abaixo, Germanin)


Em Carl Peters e Germanin a conduta britânica na África
é   atacada.   Os   dois    filmes   constituem   um   argumento
superficial   quanto   aos   méritos   relativos   da   Inglaterra
e  da  Alemanha  para exercer uma  hegemonia colonial (20)

No que diz respeito aos bôeres históricos, já fazia alguns séculos que o império britânico vinha tendo problemas com eles (muito antes de se autodenominarem bôeres ou africâneres). De orientação religiosa calvinista e origem principalmente holandesa, alemã e francesa, em determinado momento no final do século XVIII os bôeres deixaram o litoral da África do Sul e rumaram para o interior em busca de terras (sua terra prometida, seu “lugar ao sol”) longe da influência inglesa (com quem guerreariam várias vezes durante os séculos XVIII e XIX), enfrentando (e criando) também muitos problemas com os povos de origem Banto que viviam nas terras que atravessaram. De modo geral, esse tipo de colonização não difere das outras no básico, acreditavam serem os povos indicados para “proteger a África dela mesma” e consideravam ter direto à terra. Na verdade os bôeres iriam além, não apenas invadiam as terras, como também achavam que todos os nativos eram os “filhos de Ham” da Bíblia, e que teriam sido designados por Deus para trabalhar como seus escravos. Embora um dos maiores problemas dos bôeres com os ingleses fossem as limitações impostas por estes ao “direito” que os fazendeiros bôeres achavam que possuíam para escravizar os africanos (em meados do século XIX a escravidão já não era de serventia para os ingleses), foi já como cidadãos britânicos em 1948 que fundaram o Partido Nacional Africâner, propondo uma política de desenvolvimento separado (apartheid) para os não brancos (que deveriam viver para sempre numa posição servil em relação aos brancos) (21). Política que vingou por um longo tempo, muito mais do que durou o reinado de Hitler!

De acordo com Taylor, a África é apenas um dos quatro episódios mais sombrios selecionados pelos nazistas apresentando o relacionamento dos ingleses com outros povos – os restantes são Palestina, Índia e Irlanda. Palestina e Índia não chegaram a se tornar tema de filme. Na Palestina existia um inimigo duplo, os britânicos e os judeus, e, ainda que estes pudessem facilmente ser mostrados como cúmplices para suprimir os árabes, Taylor acredita que isso teria complicado a simplificação da mensagem da propaganda. Na Índia, o problema era mais sutil, pois ainda que houvesse ampla evidência de que os indianos possuem conexões arianas, teria sido difícil para os nazistas apresentar pessoas de pele escura como superiores, mesmo aos britânicos. O tema da Irlanda produziu dois filmes, A Raposa de Glenarvon (Der Fuchs von Glenarvon, 1940) e Minha Vida Pela Irlanda (Mein Leben für Irland, 1941), ambos realizados por Max W. Kimmich - que posteriormente dirigirá Germanin. Esses filmes, assim como Tio Krüger, esclareceu Taylor, eram destinados a preparar as plateias alemãs para a Operação Leão Marinho (a invasão da Inglaterra). Constituíam uma poderosa acusação dos crimes cometidos pelos britânicos contra seus vizinhos mais próximos, seriam também uma propaganda muito mais efetiva para o IRA do que massacrar civis inocentes – Taylor se refere aqui ao Exército Republicano Irlandês, grupo terrorista que lutava pela independência. O caso da África é especial, por conta da inveja (foi a palavra que Taylor optou por utilizar) em relação ao longo processo de expansão imperial e colonial britânico. (imagem acima, capa do programa de Tio Krüger com explicações e justificativas do filme, distribuído na estreia)

“O primeiro filme antibritânico produzido pelos nazistas foi Os Cavaleiros da África Oriental Alemã, dirigido por Herbert Selpin em 1934. Porém neste filme, e Um Homem quer ir para a Alemanha, realizado no mesmo ano, os britânicos, ainda que identificados como inimigos, eram retratados com alguma simpatia. No primeiro filme o soldado britânico é secretamente aliviado quando escapam os amigos alemães que ele deveria estar vigiando, enquanto no segundo o comandante britânico do campo-prisão considera seu trabalho como impróprio para um oficial. Mas em 1934 a Grã-Bretanha, enquanto ainda um inimigo potencial, também era um potencial aliado a ser cortejado. Em 1941, é claro que a situação era bem diferente: em Carl Peters, de Selpin, o Império Britânico é castigado como uma ameaça ao legítimo interesse da Alemanha em adquirir colônias e um ‘lugar ao sol’” (22)


Leia também:


Notas:

1. WELCH, David. Propaganda and the German Cinema 1933-1945. London/New York: I. B. Tauris, 2011. P. 219.
2. TAYLOR, Richard. Film Propaganda. Soviet Russia and Nazi Germany. London/New York: I. B. Tauris, 2009. P. 159.
3. WELCH, David. op. cit., p. 222.
4. Idem, pp. 223, 259n61.
5. Ibidem, pp. 223-4.
6. URWAND, Ben. A Colaboração. O Pacto entre Hollywood e o Nazismo. Tradução Luis Reyes Gil. São Paulo: LeYa, 2014. Pp. 107-8.
7. WELCH, David. op. cit., p. 227.
8. TAYLOR, Richard. op. cit., p. 157.
9. WELCH, David. op. cit., p. 227.
10. RENTSCHLER, Eric. The Ministry of Illusion. Nazi Cinema and it’s Afterlife. Massachusetts: Harvard University Press, 1996. Pp.81, 333n34.
11. TAYLOR, Richard. op. cit., p. 188.
12. WELCH, David. op. cit., p. 33.
13. Idem, pp. 229-33.
14. TAYLOR, Richard. op. cit., p. 195.
15. Idem, p. 188.
16. Ibidem, pp. 193, 195.
17. TOOZE, Adam. O Preço da Destruição. Construção e Ruína da Economia Alemã. Rio de Janeiro/São Paulo: Editora Record, 2013. P. 353.
18. RENTSCHLER, Eric. op. cit., p. 125.
19. TAYLOR, Richard. op. cit., pp. 187, 188, 190, 191.
20. WELCH, David. op. cit., p. 228.
21. DAVIDSON, Basil. Africa. History of a Continent. London: Spring Books, 2ª ed., 1972. Pp. 261, 266, 308.
22. TAYLOR, Richard. op. cit., pp. 187-8. 

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