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Roberto Acioli de Oliveira

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29 de set de 2012

Homunculus e a Saga do Frankenstein Alemão?


 
  
 O ator
dinamarquês 
Olaf Fønss, no papel 
do protagonista pirado, influenciou a moda 
berlinense da
época (1)





A Vingança do Bebê de Proveta 

Professor e cientista famoso, Hansen trabalha com Rodin, seu assistente. O cientista consegue produzir um ser artificial em laboratório, que se torna um homem de grande intelecto. Hansen confia o recém-nascido ao doutor Ortmann, que troca os bebês quando descobre que seu próprio filho acaba de morrer. Vinte e cinco anos depois Homunculus, para todos os efeitos filho do falecido Ortmann, segue na faculdade os ensinamentos de Hansen, que ainda está vivo e tentando compreender por que seu experimento não deu certo. Ele tem um convívio difícil com as pessoas de sua idade, pois não conseguem compreender aquilo que todos estão sempre buscando: amor. Certo dia, ao ouvir de Hansen que havia sido melhor que seu experimento vinte e cinco anos antes tivesse morrido (porque sem amor teria crescido como um flagelo de ódio e destruição), Homunculus começa a se sentir como esse bebê de proveta, já que não consegue compreender o amor. Logo ele descobrirá a verdade e a revela para Hansen, que fica eufórico. Sentimento não compartilhado por Homunculus, que furioso pergunta a Hansen se pode dar-lhe uma alma, se pode fazê-lo chorar. (imagem acima, Homunculus em fuga; abaixo, à direita, constrangido com a mulher que tentaram empurrar para ele, Homunculus começa a se perguntar sobre sentimentos que parecem ser comuns a todos, mas que ele não sente)





“Os homens 
falam de amor, 
mas  o  que  é 
o amor?”

Homunculus






Vagando sozinho como um peregrino, Homunculus adota um cachorro vagabundo que cruza seu caminho. Certo dia consegue fazer um rei paralítico árabe voltar a andar. Seu prodígio corre o mundo e as pessoas começam a acusá-lo de herege. Nem mesmo viagens para terras distantes impedem que sua identidade seja revelada e que as pessoas fujam chamando-o de monstro, servo do diabo e homem sem alma. O corcunda Rodin, que por todo esse tempo seguia seus rastros, consegue encontrá-lo e ser aceito por ele. A gota d’água para Homunculus foi quando os seres humanos mataram seu cachorro de estimação. Consumido pelo ódio, a criação de Hansen se torna o grande líder de um país e planeja sua vingança contra a humanidade. Disfarçado de operário, incita greves que lhe dão a oportunidade de esmagar as massas. No ápice da discórdia, ele levará todos a uma guerra mundial. No ápice de sua fúria vingativa, Homunculus fica cada vez mais sozinho até que, praguejando contra os céus, é atingido por um raio e morre. (imagem abaixo, à esquerda, Homunculus não compreende suas diferenças em relação aos outros; à direita, após descobrir sua verdadeira identidade, Homunculus vai tirar satisfações com o professor Hansen, que não sabia de nada, mas fica eufórico com o fato de sua criação estar viva)





O estilo gótico
transparece  nesta que
foi   uma   das   primeiras
reflexões     filmadas    da
relação  entre   homem 
e máquina (2)





Homunculus (direção Otto Rippert, 1916) figura entre os filmes alemães identificados de alguma forma com a temática e/ou a estética do Expressionismo no cinema que passou a rotular o cinema alemão da década de 1920 do século passado. Contudo, assim como O Estudante de Praga (Der Student von Prag, direção Paul Wegener, 1913) e O Golem (Der Golem, direção Stelan Rye, 1914), a realização do filme é anterior à vigência da República de Weimar, arranjo político que operou (aos trancos e barrancos) os destinos da Alemanha entre 1919 e 1933, tornando-se também sinônimo e parte do mito da estética expressionista. Do ponto de vista da “indústria” do cinema, o período político anterior a Weimar é chamado de “cinema Guilhermino”, compreendendo o período entre 1895 a 1919, e cuja referência é o rei Wilhelm II. Portanto, o ponto de partida do cinema alemão é anterior à chegada do Expressionismo no cinema daquele país. Especialmente nessa fase o cinema ainda era uma atração de feira, como aquela que aparece em O Gabinete do Doutor Caligari (Das Cabinet des Doktor Caligari, 1920). Provavelmente terá sido numa dessas que grande parte do público alemão rural e/ou de pequenas cidades foi apresentado a Homunculus (3), um filme planejado como uma série em seis partes (outro elementos relativamente característico do cinema de então), embora apenas a primeira parte tenha chegado às telas.





Muito
antes de Caligari  
e  do  Expressionismo,
Homunculus demonstrou claramente o efeito que se 
pode obter dos contrastes 
do  preto e branco,  os 
choques de luz e 
sombra

Lotte Eisner (4)




Quando Homunculus foi realizado em 1916, a Primeira guerra Mundial estava pela metade. Nessa fase o cinema alemão começa realmente a se organizar enquanto indústria – a famosa UFA, fruto da fusão de uma série de companhias pequenas, será fundada em 1917 por iniciativa dos militares. Filmes como O Golem e Homunculus fazem parte do filão temático das obsessões psicológicas e espirituais – ao contrário do que normalmente se acredita, a comédia, o melodrama e até mesmo a pornografia constituíam outros filões bastante populares. Robert Wiene, mais conhecido por ter realizado Caligari, dirigiu anteriormente Medo (Furcht, 1917), explorando os temas de angústia pessoal e alienação. Neste trabalho praticamente desconhecido de Wiene, o protagonista é um jovem conde que retorna de uma viagem. Vive solitário em sua mansão ancestral com um mordomo. Obcecado por uma estatueta que roubou de um templo budista em suas viagens, ele será assombrado pela culpa vagando pelos corredores durante a noite. Retrabalhando temas da literatura do século XIX, o conde parece um personagem de Edgar Allan Poe, com ecos de conde Drácula e do barão Frankenstein. O conde fará um pacto faustiano com o monge budista que o seguiu: sete anos de prazer e romance, chegando ao fim com uma morte agonizante. O monge foi interpretado por Conrad Veidt, que encarnará o sonâmbulo Cesare em Caligari, cujos trejeitos são antecipados pelo conde em Medo (5).




Certos
movimentos de
multidões em Metropolis 
Mabuse,   de   Fritz  Lang,
revelam uma influência direta
de  Homunculus.  Aliás, Lang trabalhou muito tempo com
Rippert,   escrevendo 
roteiros

Lotte Eisner (6)



Richard Taylor mostra que o governo alemão começa a fazer um uso político do cinema já nessa época – a censura atuava também na seleção daquilo que seria exportado para os países aliados e/ou neutros, controlando assim a imagem da Alemanha projetada no exterior. Golem e Homunculus apresentam criações artificiais como protagonistas. No primeiro exemplo, trata-se de uma estátua de barro feita pelo Rabbi Loew no gueto judeu da cidade de Praga durante a Idade Média. Trazida à vida séculos mais tarde, torna-se uma ameaça ao ser rejeitada por uma mulher. No segundo caso, trata-se de um homem que descobre que foi criado em laboratório, se sente um pária e anseia por amor. Não suportando a rejeição, Homunculus se tornar o mostro que todos acreditam que ele é: um ditador que leva as massas à revolta (o que permite que elas sejam esmagadas), até ser destruído pelas forças da natureza. “Tanto Golem como Homunculus são personagens que vivem vidas anormais e tem sofrem mortes anormais, ambos buscam amor, mas não são correspondidos; seu espírito, contudo, sobrevive para demonizar o cinema alemão com temas de distúrbios psicológicos e terror sobrenatural” (7). (imagem acima, à direita, Homuculus se olha no espelho depois de conhecer sua verdadeira identidade; abaixo, à esquerda, o momento da concepção de Homunculus no laboratório de Hansen; à esquerda da imagem, de pé, o corcunda Rodin, que prefigura os futuros ajudantes deformados do doutor Frankenstein)

Frankenstein é Um País?






Ao descrever o futuro
de  Homunculus,  o  filme
pressagia      Hitler       de
maneira surpreendente

Siegfried Kracauer (8)





Como não podia deixar de ser, dentre a série de aberrações ambulantes presentes nas telas alemães durante a década de 20, Siegfried Kracauer identificou uma série de Homunculus de carne e osso que adquiriram vida durante o reinado de Adolf Hitler na Alemanha, entre 1933 e 1945. Assim como Lotte Eisner, embora enfatizando o papel tirânico do capitalista que controla os destinos do povo, Kracauer também percebeu as semelhanças entre Metropolis (direção Fritz Lang, 1927) e Homunculus. Kracauer insistiu também nas semelhanças entre este filme e Filha do Destino (Alraune, direção Henrik Galeen, 1928). Brigitte Helm, que interpreta a Maria boa (e seu duplo, a Maria má) em Metropolis, é uma vamp sonâmbula sedutora que arruína todos que se apaixonam por ela. Ela foi criada por fecundação artificial em laboratório, seus genitores foram um criminoso enforcado e uma prostituta. Da mesma forma que Homunculus, as origens anormais (para a época) são responsáveis por sua frustração e ela se destrói no final. Homunculus teria antecipado até mesmo os filmes de montanha, um gênero de filme tipicamente alemão, do qual despontaram nomes como Arnold Fanck, Luis Trenker e Leni Riefenstahl – posteriormente, veremos montanhas muito estilizadas, provavelmente feitas de cartolina, em Caligari. Homunculus está de pé, no topo de uma montanha quando um raio o atinge. (imagem abaixo, Homunculus nota uma presença invisível, seria a morte?; última imagem, os momentos finais de Homunculus, antes de ser atingido pelo raio da morte)

 




Homunculus foi
um  antecessor  de
Frankenstein   nas
telas de cinema (10)







Do ponto de vista de Kracauer, é praticamente a explicação do caráter alemão. Segundo ele, os alemães tinham um complexo de inferioridade por não terem conseguido fazer uma revolução como franceses e ingleses. Aquela sociedade se manteve “pré-democrática” e, ainda de acordo com o libelo de Kracauer em 1946, não existia uma literatura alemã que penetre o tecido social ao modo do inglês Charles Dickens (1812-1870) ou como o francês Honoré de Balzac (1799-1850). Isso tudo teria sido prejudicial à autoconfiança da classe média alemã, que se isolou cada vez mais e não conseguia lutar contra o estado de imaturidade política a que se sujeitava para não colocar em perigo sua já insegura condição social. Essa conduta provocou uma estagnação psicológica que a levou a sentir orgulho de seu auto-isolamento. Os alemães, Kracauer disparou, pareciam Homunculus. Juntamente com O Estudante de Praga, O Golem e O Outro (Der Andere, direção, direção Max Mack, 1913), Homunculus é incluído por Kracauer dentre os quatro filmes do chamado período arcaico do cinema que, além de prefigurar o espírito alemão do cinema de Weimar, anteciparam importantes temas do pós-guerra (9). É preciso lembrar aqui uma coisa, Kracauer estava sem dinheiro e precisava de uma bolsa e pesquisa para se manter nos Estados Unidos quando escreveu seu livro sugerindo que o cinema mudo alemão pressagiava Hitler.



(...) Quando  
Homunculus  apareceu,
o filósofo alemão Max Scheler 
fazia palestras em encontros públicos 
sobre  por   que  a   Alemanha
gerava ódio em toda parte
 do mundo (...)

Siegfried Kracauer (11)


Notas:

1. KRACAUER, Siegfried. De Caligari a Hitler. Uma História Psicológica do Cinema Alemão. Tradução Tereza Ottoni. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1988. P. 46.
2. HAKE, Sabine. German National Cinema. London/New York: Routledge, 2ª ed., 2008. P. 22.
3. Idem, p. 9.
4. EISNER, Lotte H. A Tela Demoníaca. As Influências de Max Reinhardt e do Expressionismo. Tradução Lúcia Nagib. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985. Pp. 31, 47, 239.
5. FINLER, Joel H. Silent Cinema. World Cinema Before the Coming of Sound. London: B. T. Batsford Ltd., 1997. P. 66.
6. EISNER, Lotte. Op. Cit., p. 153, 154, 164.
7. TAYLOR, Richard. Film Propaganda. Soviet Russia and Nazi Germany. London/New York: I.B. Tauris, 2ª ed., 2009. P. 130.
8. KRACAUER, Siegfried. Op. Cit., p. 46.
9. Idem, p. 46.
10. Ibidem, pp. 42, 133, 182, 314.
11. Ibidem, p. 46.

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